Morfologia do Barbado da Terceira

Ch Cortiça de Aradik

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O Barbado da Terceira é um cão de médio porte, de aspecto volumoso e robusto. As alturas e pesos são de 52 a 58 cm e 25 a 30 Kg para os machos, 48 a 54 cm e 21 a 26 Kg para as fêmeas, com uma tolerância no porte entre os 48 e os 60 cm.

A cabeça é forte, com eixos craniofaciais paralelos. O chanfro é relativamente curto e largo, com amplas barbas, que dão o nome à raça. O nariz é amplo e cubóide, dando um aspecto característico à face. Os olhos são muito expressivos, denotando inteligência e travessura; a cor varia entre o mel e o castanho-escuro, mas não devem ser parcial ou totalmente azuis. As orelhas são de tamanho médio, pendentes e de inserção alta. O pescoço é sólido e bem musculado. O tronco, volumoso e de peito profundo, é apenas ligeiramente mais comprido que a altura ao garrote. A cauda tem implantação média a baixa; normalmente é longa, chegando pelo menos ao curvilhão, mas admitem-se também os exemplares anuros. Os membros são bem musculados e de ossatura larga; os posteriores são bem angulados, denotando uma boa capacidade de impulsão.

 Tal como no caso do Cão de Fila de S. Miguel, também no Barbado tradicionalmente a cauda é amputada e as orelhas são cortadas em redondo. Hoje em dia, já é relativamente comum ver cães de orelhas inteiras, sendo porém ainda raros os exemplares de cauda inteira - devido à idade em que as amputações são feitas, o corte ou não de orelhas é uma opção do dono do cão, enquanto que o da cauda é decidido pelo criador.

No canil Aradik, não cortamos nem orelhas nem caudas. Qualquer exemplar por nós criado será entregue ao natural!

 

Cães com orelhas naturais e cortadas

Cães com orelhas inteiras (Multi-Ch Figo e Multi-Ch Sheila) e com orelhas cortadas (Ch Adágio)

O pêlo é longo e ligeiramente ondulado, com subpêlo abundante. As pelagens actuais são muito variadas tanto em termos de cor como de textura, mas não devem ser ásperas. As cores mais comuns são o preto, o cinzento, o fulvo e o amarelo, em diferentes tonalidades da mais escura à mais clara, quase branca, mas todas as cores são aceites excepto o castanho e o merle.

É normal e frequente os cães nascerem com uma tonalidade mais escura, que ao longo dos primeiros meses de vida irá aclarar gradualmente até ao seu tom final. Por exemplo, um exemplar que tenha nascido fulvo escuro poderá ser em adulto quase branco, e os Barbados cinzentos terão nascido pretos. Nestas situações, quando o cão sofre um ferimento que leve à perda de pelo na zona, o novo pelo que nasce irá apresentar a cor “original”, aclarando depois progressivamente ao longo dos meses.

Os Barbados podem apresentar manchas brancas na cabeça, pescoço, peito, ventre, membros e ponta da cauda. Historicamente, os exemplares “encoleirados” (com branco à volta do pescoço) e de “frente aberta” (com mancha branca na cabeça e chanfro) eram os preferidos para trabalho.

Evolução de cores

Ch Ali-Babá de Aradik e Ch Ananás de Aradik aos 2 meses (esquerda) e em adultos (direita))

 

Antigamente era comum os cães terem presunhos nos membros posteriores (simples ou duplos). Esta é uma característica apreciada pelos lavradores (tal como ocorre em numerosas raças de cães de pastoreio ou de protecção de rebanhos), pelo que tipicamente não são cortados. Hoje em dia, a sua ocorrência parece não ser tão frequente.

 

Comentários pessoais

Na raça são tradicionalmente cortadas as orelhas e a cauda. No canil Aradik não cortamos caudas nem orelhas. Acreditamos que o futuro do Barbado da Terceira, tal como o de outras raças tradicionalmente sujeitas a estas amputações, irá necessariamente passar pela divulgação dos animais "inteiros", pelo que procuramos contribuir hoje para o conhecimento do que amanhã deverá ser seleccionado como o ideal.

O estalão menciona a cor mosqueada como defeito desqualificativo. No entanto, segundo informações fornecidas por um dos elementos que trabalhou na sua elaboração, o que se pretende considerar desqualificativo é efectivamente o merle (também chamado arlequim em algumas raças), sendo que o "mosqueado" surge apenas por confusão na terminologia específica.

Em relação à pelagem do Barbado, o estalão diz que:

Admite-se a tosquia de trabalho encurtando o pêlo uniformemente, devendo esta apresentação ser a utilizada em exposições de beleza.

Esta afirmação é um contra-senso... Numa primeira abordagem, verifica-se que começa por indicar que se "admite a tosquia de trabalho". Ora, se apenas se admite, é porque não é o preferencial. Porém, na continuação da frase, indica-se que a tosquia de trabalho deve ser usada para apresentar os cães nas exposições de beleza. Isto significa que que a tosquia de trabalho não é "admissível", mas sim "obrigatória". Em que ficamos?

Por outro lado, desde que a raça foi reconhecida a nível provisório pelo Clube Português de Canicultura que se discute, a nível interno, que tosquia deve ser definida, que tosquia deve ser criada para apresentar a raça em exposições! Ora, o estalão é bem claro, indicando que a tosquia é a tosquia de trabalho - no início do Verão, os cães são integralmente tosquiados, ficando com o pelo curto, e este vai depois crescendo ao longo do ano, até ao Verão seguinte. Uma vez que tosquia está definida no estalão, não é necessário andar a "inventar" arranjos nenhuns.

Efeito visual da tosquia

Impacto que a tosquia pode ter no aspecto visual de um cão, neste caso em exemplar já de si com pouco pelo - Ch Adágio. No caso de um cão com pelagem mais abundante, a diferença será ainda mais significativa.

Virtualmente todas as raças europeias de cães de pastoreio de pêlo comprido eram tradicionalmente tosquiadas com o aproximar do Verão, na mesma altura em que o eram as ovelhas. No entanto, para participar em exposições, esse tipo de tosquia não é requerido. Ao invés, cada raça acabou por evoluir naturalmente para um cuidado com o pêlo e um "arranjo" para exposição. Na nossa opinião, obrigar o Barbado a uma tosquia específica (especialmente quando aparentemente se pretende inventar uma em vez de seguir a tosquia tradicional), apenas servirá para desencorajar potenciais interessados na raça, outras pessoas que não aos raros criadores actuais.