Morfologia do Barbado da Terceira
O Barbado da Terceira é um cão de médio porte. No período que antecedeu o reconhecimento da raça, existiam duas linhas principais nesta população: uma mais antiga, de cães com cabeças normalmente maiores, mas muito variáveis e algumas vezes com traseiras estreitas, e uma mais moderna, de cães fisicamente mais equilibrados (1).
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As alturas e pesos são de 52 a 58 cm e 25 a 30 Kg para os machos, 48 a 54 e 21 a 26 Kg para as fêmeas.
O pêlo é longo e ligeiramente ondulado, com subpêlo abundante; é comum ser tosquiado no Verão. As pelagens actuais são muito variadas tanto em termos de côr como de textura, mas não devem ser ásperas. As cores admitidas são o preto, lobeiro, amarelo e fulvo em todas as suas tonalidades, podendo os exemplares ser manalvos (com manchas brancas nos membros anteriores), pedalvos (com manchas brancas nos membros posteriores), quadralvos (com manchas brancas nos 4 membros), com frente aberta (com mancha branca na cabeça), encoleirados (com mancha branca em torno do pescoço) e com malhas brancas no peito, ventre e ponta da cauda. Os cães encoleirados eram os preferidos na Terceira.
Antigamente era comum os cães terem presunhos nos membros posteriores (simples ou duplos). Esta é uma característica apreciada pelos lavradores (tal como ocorre tipicamente com quaisquer cães de pastoreio ou de protecção de rebanhos), pelo que tradicionalmente não são cortados (1). Hoje em dia, a sua ocorrência parece não ser tão frequente.
Tal como no caso do Cão de Fila de S. Miguel, também no Barbado tradicionalmente a cauda é amputada e as orelhas são cortadas, em redondo.
(1) Dédalo Henrique Ribeiro da Silva, comunicação pessoal.
Comentários pessoais
Na raça são tradicionalmente cortadas as orelhas e a cauda. Hoje em dia, já começa a ser relativamente comum ver cães de orelhas inteiras, mas as caudas normalmente estão sempre cortadas - devido à idade em que as amputações são feitas, o corte ou não de orelhas é uma opção do dono do cão, enquanto que o da cauda é opção do criador. No canil de Aradik não cortamos caudas nem orelhas. Acreditamos que o futuro do Barbado da Terceira, tal como o de outras raças tradicionalmente sujeitas a estas amputações, irá necessariamente passar pela divulgação dos animais "inteiros", pelo que procuramos contribuir hoje para o conhecimento do que amanhã deverá ser seleccionado como o ideal.
O estalão menciona a cor mosqueada como defeito desqualificativo. No entanto, segundo informações fornecidas por um dos elementos que trabalhou na sua elaboração, o que se pretende considerar desqualificativo é efectivamente o merle (também chamado arlequim em algumas raças), sendo que o "mosqueado" surge apenas por confusão na terminologia específica.
Em relação à pelagem do Barbado, o estalão diz que:
Admite-se a tosquia de trabalho encurtando o pêlo uniformemente, devendo esta apresentação ser a utilizada em exposições de beleza.
Esta afirmação é um contra-senso... Numa primeira abordagem, verifica-se que começa por indicar que se "admite a tosquia de trabalho". Ora, se apenas se admite, é porque não é o preferencial. Porém, na continuação da frase, indica-se que a tosquia de trabalho deve ser usada para apresentar os cães nas exposições de beleza. Isto significa que que a tosquia de trabalho não é "admissível", mas sim "obrigatória". Em que ficamos?
Por outro lado, desde que a raça foi reconhecida a nível provisório pelo Clube Português de Canicultura que se discute, a nível interno, que tosquia deve ser definida, que tosquia deve ser criada para apresentar a raça em exposições! Ora, o estalão é bem claro, indicando que a tosquia é a tosquia de trabalho - no início do Verão, os cães são integralmente tosquiados, ficando com o pelo curto, e este vai depois crescendo ao longo do ano, até ao Verão seguinte. Uma vez que tosquia está definida no estalão, não é necessário andar a "inventar" arranjos nenhuns.
Virtualmente todas as raças europeias de cães de pastoreio de pêlo comprido eram tradicionalmente tosquiadas com o aproximar do Verão, na mesma altura em que o eram as ovelhas. No entanto, para participar em exposições, esse tipo de tosquia não é requerido. Ao invés, cada raça acabou por evoluir naturalmente para um cuidado com o pêlo e um "arranjo" para exposição. Na nossa opinião, obrigar o Barbado a uma tosquia específica (especialmente quando aparentemente se pretende inventar uma em vez de seguir a tosquia tradicional), apenas servirá para desencorajar potenciais interessados na raça, outras pessoas que não aos raros criadores actuais.